sábado, 24 de março de 2007

La bella Napoli!

Nápoles, o berço da pizza! Pouco mais teria a dizer sobre esta cidade italiana. Descobrir Nápoles é descobrir o bom e o mau do sangue mediterrânico. De facto, há alturas em que, para uma tripeira de gema como eu, se sente alguma familiariedade, quando se pisa o solo napolitano. Uma cidade portuária, ruas estreitas e sinuosas…e depois o ar…de alguma forma se respira aquele frenesim latino.

De súbito (como tudo o que acontece em Nápoles), algo nos lembra que estamos em Itália e, curiosamente, não nos surpreende. Poderia deliciar-me durante longas horas com o comportamento dos taxistas italianos que se degladiam por um cliente...é fascinante descobrir que não fui enganada pelo estereótipo: afinal eles sempre fazem aquele gesto em que as pontas dos dedos se tocam e a mão se agita de cima para baixo e de baixo para cima enquanto o orador demonstra um estado de irritação aguda!

Atravesso a cidade de carro, de olhos arregalados (e juraria que de boca aberta). Por lá, ouvi alguém a dizer “Em Espanha os sinais luminosos são obrigatórios; em Itália são facultativos”. É certo que em Itália são facultativos, mas poucos são os que optam pela faculdade de lhes obedecer. Nápoles é o caos! Em linguagem poética: a apoteose da anarquia. Até hoje guardei a minha perspectiva algo pitoresca de Nápoles. Não, não desconhecia a fama da máfia napolitana, mas o Marlon Brando conseguiu sempre preservar em mim uma ideia tão simpática da máfia…e depois, enfim…a palavra vulgarizou-se: “ah seu mafioso!”.

Só ontem, num artigo do Público, me apercebi da dimensão da máfia napolitana, Camorra, segundo consta cinco vezes maior que a máfia siciliana, Cosa Nostra. O artigo veio no seguimento da detenção de 171 pessoas em Nápoles envolvidas no crime organizado, feito que parece ter sido conseguido com a colaboração de um ex-chefe da máfia, alegadamente arrependido. O que mais me interessou foi o impacto desta rede criminosa na vida da população napolitana.

Roberto Saviano, depois de publicar um livro sobre a máfia italiana em que denuncia a violência gerada pela mesma nos últimos anos, tornou-se num alvo a abater, tal como o foi o padre Don Giueseppe Diana ou os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Com taxas de educação que o Público diz estarem ao nível de África, graves problemas de desenvolvimento social e desemprego crónico, Nápoles é a principal praça europeia da droga e o local ideal para qualquer interessado em lavagem de dinheiro. Qual anarquia qual quê! A Camorra é o governo de Nápoles.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Tagging - a faceta humana da Web

Porque é tão fácil hoje navegar na net? Num vasto conjunto de motivos, o tagging está com certeza entre eles.

Tagging é a contextualização de um determinado conteúdo (texto, imagem, áudio, vídeo) através da atribuição de uma keyword. Esta classificação não é, contudo, feita de acordo com categorias ou moldes pré-definidos, mas sim por critérios pessoais – é exactamente aí que reside a flexibilidade do tagging.

A possibilidade de sermos nós próprios, meros utilizadores da Web, a categorizar informação tão dispersa permite uma busca mais intuitiva e muito menos imprecisa e rígida como a que seria feita por um simples algoritmo.

domingo, 18 de março de 2007

Is the machine using us?

"The web is no longer just linking information, the web is linking people.
We'll need to rethink a few things..."


O que é Web 2.0?

É a pergunta que todos fazem quando ouvem este termo pela primeira vez. Tim O’Reilly, fundador da O’Reilley Media e criador do termo, responderia que se trata de um aproveitamento da inteligência colectiva, no sentido de desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede.

A Web 2.0 ou 2ª geração da World Wide Web é hoje possível graças às rápidas conexões e interfaces flexíveis que a Web disponibiliza. É assim que o utilizador deixa de ser simples consumidor para se tornar construtor: em conjunto com outros cibernautas, assume um papel activo no crescimento da complexidade da Web. Esta dinamização, feita pelos próprios internautas, dá-se sobretudo através da troca de informações e oferta de serviços on-line.

Assiste-se, de certa forma, à democratização do espaço on-line, sendo o blog a ferramenta por excelência do utilizador interveniente. Vários outros exemplos de Web 2.0 nos são já bastante familiares, como a Wikipedia, o YouTube ou o Del.icio.us.

Subjacente ao conceito de Web 2.0 está a ideia de complexidade simplificada. Numa vasta rede de informação, os conteúdos (texto, vídeo, aúdio) ligam-se de forma lógica e associativa através de links, dispensando, muitas vezes, a utilização de URL’s. Navegar na net torna-se quase um acto natural.

A excessiva utilização do termo Web 2.0 é já alvo de imensas críticas, sendo mesmo encarada como uma estratégia de marketing (ver artigo Web 3.0). Apesar da ausência de consenso acerca do que é concretamente a Web 2.0, o facto é que a sua conceptualização, numa perspectiva sociológica, representa uma análise do momento histórico que atravessamos, ainda que condicionada pela proximidade temporal. Dificilmente podemos escapar da complexa rede de informação em que estamos já envolvidos e da qual já dependemos.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Inauguração do Blog